Medidas da OMS contra a obesidade infantil

OMS Obesidade InfantilObesidade infantil contra a má-nutrição – Uma mancha nas medidas da OMS (Organização Mundial de Saúde) para a obesidade infantil.

Numa tentativa de dar acesso e assegurar a saúde infantil em todo o mundo, foi recomendada pela Organização Mundial de Saúde uma série de medidas-teste para monitorar o crescimento infantil, o desenvolvimento motor e o estado nutricional.

Espera-se que esta iniciativa da OMS possa capacitar os trabalhadores dos cuidados de saúde com as medidas apropriadas para igualizar os dois extremos dos cuidados de saúde infantis.

Por um lado, há uma necessidade desesperante de melhorar a saúde das crianças sub-nutridas dos países subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento; nos países desenvolvidos, tal como os Estados-Unidos, a preocupação é com a sobrealimentação das crianças e dos níveis, a cada dia mais elevados, de obesidade infantil, que atingiu proporções alarmantes.

As novas orientações da OMS recomendam medidas de IMC (indice de massa corporal) para as crianças, desde o seu nascimento até à idade de 5 anos.

Este anúncio da OMS provocou diversos tipo de reacções dos médicos por esse mundo fora, que duvidam da utilidade clínica da medição do Índice de Massa Corporal (IMC).

O IMC baseia-se no cálculo do rácio peso-altura para verificar se um indivíduo é de peso baixo, se tem excesso de peso ou se é obeso. Foram também levantadas questões acerca da necessidade das crianças serem sujeitas à medição do Índice de Massa Corporal.

Enquanto o IMC fornece uma representação adequada da média de gordura corporal numa população específica, ignora factores como a perda muscular ou a massa muscular, que desempenham um papel crucial na determinação do peso dum indivíduo.

A medição IMC pode por isso ser contraproducente, afirma o Dr. David Heber do Center for Human Nutrition at the University of California.

De qualquer forma, a Dra. Wendy Miller, directora-clínica do Beaumont Weight Control Center, em Royal Oak, saudou as recomendações da OMS e mais ainda, crê que elas encorajam os pais a vigiar mais de perto a saúde dos seus filhos.

As preocupações com o Índice de Massa Corporal podem predispor os pais a procurar o conselho dum especialista pediatra para encontrar um plano de acção apropriado. O objectivo dos pais deverá ser providenciar uma nutrição adequada e promover hábitos de uma boa actividade física em vez de dietas, avisou a Dra. Wendy Miller.

Infelizmente a obesidade tornou-se um assunto de saúde pública em praticamente todos os países industrializados. Alarmantemente, um estudo conduzido pelos especialistas da Harvard School of Public Health (Escola de Saúde pública de Harvard) revelou que as taxas de obesidade nos Estados Unidos estão subavaliadas em cerca de 50%.

Como muito bem frisou o Dr. Mervin Deitel, ‘A forma mais comum de má nutrição no mundo ocidental é a obesidade’, as crianças obesas estão a tornar-se uma visão vulgar mas não uma visão que se deseje!

A um nível global estima-se que haja cerca de 2,6 milhões de mortes prematuras anualmente, devido à obesidade. Nada, nem sequer os reportes de estudos científicos que afirmam que as crianças obesas são mais propensas a ser alvo de chacota pelos seus companheiros ou que a obesidade aumenta o risco de se desenvolver diabetes em idades precoces parecem evitar que estas crianças se entreguem a dietas gordas e bebidas carregadas de açúcar, os dois maiores contribuintes para a obesidade infantil.

Um novo estudo, feito entre os adolescentes na Austrália, demonstrou que aqueles que bebiam uma lata de uma bebida leve por dia acrescentavam 6,4 kg ao seu peso corporal actual. Baixos níveis de actividade física, a paixão e dependência pela televisão e pelos vídeo jogos é outra das razões para a obesidade infantil. Houve uma mudança drástica nos hábitos familiares, que conduziu a horários de refeição irregulares e a uma tendência para a ‘comida de plástico’ ou para a chamada ‘comida de conveniência’.

As empresas de alimentação e de bebidas estão a retirar o máximo proveito da presente situação. A maior parte das Companhias mundiais de topo na alimentação e na bebida, como a Mars, Nestlé, Cadbury Schweppes Plc., Coca Cola, Unilever, McDonalds, Burger King, Pizza Hut e KFC permanecem convenientemente passivas acerca da crise de obesidade.

Apesar dos objectivos definidos pela Organização Mundial de Saúde para uma eficaz prevenção da obesidade, diabetes e doenças cardíacas, não houve uma alteração significativa nos níveis de gordura, sal e açúcar das comidas comercializadas por estes gigantes da alimentação.

A McDonalds, que havia prometido aos seus clientes que iria reduzir os níveis de gordura nos seus produtos, anunciou recentemente um novo Big Mac em tamanho gigante (40% maior do que o normal), comprometendo assim a sua promessa de refeições saudáveis e tamanhos esbeltos no seu menu.

Talvez os seus meios de publicidade se tenham concentrado mais em retirar proveitos económicos do que em promover a boa saúde. Tomando em consideração as preocupações de vários médicos, dietistas, nutricionistas e outros profissionais de saúde, talvez seja chegado o momento de os media projectarem a realidade, provando também que a má publicidade é uma das formas de estas companhias evitarem olhar com seriedade pela saúde dos seus consumidores.

Educar as crianças acerca das nefastas consequências da obesidade e encorajá-las e serem bem aprumadas e felizes é a única medida prática para reverter a obesidade infantil. Debates e argumentos por um lado, nesta conjuntura, tornam bastante claro que se não forem instituídas mudanças radicais para alterar a tendência actual, brevemente iremos assistir a uma situação em que as gerações futuras terão uma menor esperança de vida, quando comparada com as gerações anteriores.

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